Vítimas de trabalho análogo à escravidão em BH terão direito a mais de R$ 3 milhões

Duas idosas, de 90 e 65 anos, passaram décadas trabalhando para a mesma família; valores devidos superam R$ 3 milhões.

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Três pessoas resgatadas de condições análogas à escravidão no trabalho doméstico, em Belo Horizonte, terão direito a mais de R$ 3 milhões em verbas trabalhistas, segundo o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).

Entre as vítimas estão duas idosas, de 90 e 65 anos, que passaram, respectivamente, 75 e 60 anos trabalhando para a mesma família. O terceiro caso ainda está em investigação e, por isso, não teve detalhes divulgados.

Segundo o MTE, os vínculos trabalhistas foram formalizados no eSocial e foram determinados os pagamentos de FGTS, contribuições previdenciárias e demais verbas trabalhistas. As vítimas também poderão ter acesso ao seguro-desemprego destinado a trabalhadores resgatados de condições análogas à escravidão.

Décadas de trabalho doméstico

De acordo com a fiscalização, as duas mulheres realizavam atividades como limpeza, compras e preparo de refeições. Elas também tinham pouca ou nenhuma convivência social fora da residência e não tiveram acesso às mesmas oportunidades de educação e autonomia dos demais integrantes da família.

Para os auditores, as condições encontradas ultrapassavam irregularidades trabalhistas e configuravam submissão a condições degradantes de trabalho, caracterizando uma das modalidades de trabalho análogo à escravidão previstas na legislação brasileira.

Após o resgate, as trabalhadoras foram retiradas da residência e encaminhadas para acolhimento, onde recebem acompanhamento da rede de proteção social.

A operação foi coordenada pela Auditoria-Fiscal do Trabalho, com participação do Ministério Público do Trabalho (MPT) e da Polícia Federal (PF).